A SPA defende a liberdade de expressão, mas só quando lhes interessa

Category: Dia a dia | Date: 9 de Janeiro de 2015 às 23:11 | 3 Comentários

A Sociedade Portuguesa de Autores colocou no topo do seu site um banner a dizer “Somos Charlie”, além de ter também publicado um post em que, e transcrevo, “condena o atentado terrorista no Charlie Hebdo e exige a punição dos criminosos e inimigos da liberdade de expressão”.

Isto seria tudo muito bonito se a mesma SPA não tivesse mandatado um dos seu directores falar com alguém com poder para pressionar um(a) blogger e ameaçá-lo(a) porque escreve umas coisas que a SPA não gosta, conforme relata a Maria João Nogueira no seu blog.

Ora uma entidade que pratica a censura, ao bom estilo do estado novo, não tem qualquer legitimidade para dizer que “é Charlie” ou que “exige a punição dos criminosos e inimigos da liberdade de expressão”.

Senti-me então na obrigação de partilhar, em comentário na página de Facebook da SPA, um link para o post da Jonasnuts e pedindo que tivessem vergonha.

spa_charlie

Adivinhem lá o que aconteceu? O comentário foi apagado!

Que grandes defensores da liberdade de expressão estes senhores me sairam…

Actualização 23:30: entretanto uma série de pessoas decidiram também comentar no Facebook da SPA sobre esta situação e os comentários são apagados em minutos. Será que o caso acaba como o da EDP?

É a democracia, estúpido!

Category: Dia a dia, Seixal | Date: 7 de Janeiro de 2015 às 12:55 | Seja o primeiro a comentar

Na minha rua, e em várias adjacentes, mas principalmente na minha, existe um grave problema de estacionamento potenciado pela existência de uma farmácia e de uma escola.

problemas_estacionamento

Depois de alguns anos de reclamações, a Câmara decidiu fazer um parque de estacionamento num espaço que até agora não era mais que um descampado, sujo, lamacento e sem outra utilização além de “local onde se põem os cães a cagar”.

Antes de se fazer o parque foi a população convocada, com flyers nas caixas do correio e posters nos establecimentos da zona, para participar numa reunião de apresentação e discussão do projecto, para que todos pudessem dar a sua opinião sobre o mesmo.

flyer_reuniao_estacionamento

Tenho vergonha (alheia) de ter sido o único habitante da minha rua presente na referida reunião. Além de mim, apenas estiveram presentes vários reformados da zona que sobre a futura obra do parque de estacionamento pouco discutiram, exceptuando algumas preocupações com drenagem de águas e pontos de acesso ao parque. A discussão foi então centrada em problemas tão variados como as bolas que os miúdos chutam para dentro dos quintais, os donos dos cães que vão ao jardim aqui perto e não apanham os cócós dos cães, pedidos para que se construa o hospital do Seixal (como se os autacarcas e engenheiro presentes tivessem alguma coisa a ver com isso), pedidos para que se criem passadeiras e outros fait-divers do género, que tendo (alguma) importância (ou não), nada tinham a ver com o objectivo específico desta assembleia.

A muito custo um vereador da Câmara Municipal do Seixal, um engenheiro da mesma e o Presidente da União de Freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires lá conseguiram apresentar a coisa.

planta_estacionamento

Entretanto as obras começaram há 2 dias e vão de vento em pôpa.

Obras do novo parque de estacionamento em Pinhal de Frades

Adivinham o que tem acontecido?

Os trabalhadores estão a ser abordados por habitantes que, incrédulos com os trabalhos em curso, perguntam o que se vai fazer e imediatamente não concordam com a obra. Porque é que não concordam? Porque se devia fazer antes um jardim (apesar de existir um a 75mt) ou parque infantil (um a 375mt e outro a 650mt), porque a entrada devia ser aqui e não acolá, porque hoje de manhã começaram a ouvir barulho logo às 8 da manhã, porque não querem ficar com vista para um parque de estacionamento (porque a merda que lá está actualmente é muito melhor…), porque agora já não têm um descampado onde meter os cães a cagar e vão mesmo ter de começar a apanhar a merda do chão, porque ficam sem sítio para ir com o fogareiro assar sardinhas (no meio da merda…), porque sim, porque não!

Ora vamos lá ver uma coisa: eu não discuto as opiniões de cada um. Ou melhor, até discuto, porque cada um tem o direito de a ter, como eu de concordar ou discordar delas, e a fazer ouvir junto das instâncias responsáveis. O problema é que as instâncias responsáveis quiseram ouvir as opiniões de todos, só que esses “todos” não apareceram. Ficaram no quentinho. A fazer festinhas aos cães. Que já tinham ido cagar ao descampado.

Devem ser os mesmos que não foram votar e agora passam a vida a dizer que o Passos Coelho é um patife (mesmo que tenham razão…). Fica o recado:

É a democracia, estúpido!

Disclaimer: Antes que me acusem que este texto é político, defendendo a câmara ou a junta, fique claro que nas últimas autárquicas o meu voto não foi no partido que está no executivo.

A lei da Cópia Privada para totós

Category: Dia a dia | Date: 22 de Agosto de 2014 às 14:27 | 2 Comentários

Não vou neste post dar muitos argumentos ou dissertar sobre a razão pela qual a (quase aprovada) Lei da Cópia Privada é uma aberração e um retrocesso civilizacional. Há quem já o tenha feito muito melhor que eu o possa alguma vez fazer, e a grande maioria desses textos podem ser encontrados no blog da Jonas.

Então para que serve este post? Simples: para dar como resposta às alarvidades que tenho lido nas redes sociais, infeliz e principalmente, por aqueles que, como eu, são contra esta lei.

O que é afinal a Lei da Cópia Privada?

É uma lei já existente há uns anos valentes e que abrange suportes “físicos” como cassetes, CDs, DVDs, etc… e que agora querem abranger aos suportes digitais, como os discos e memórias (integrantes da grande maioria dos gadgets existentes hoje em dia, como por exemplo, seja qual for o equipamento em que estás a ler este post).

O que esta lei diz é que é devida uma taxa por utilização destes suportes (físicos ou digitais) como forma de compensar os autores pela (eventual) Cópia Privada das suas obras para estes mesmos suportes.

O que é a Cópia Privada? (Não a lei, a dita cópia mesmo!)

Cópia Privada é uma cópia de um conteúdo adquirido de forma legal para outro suporte.

Exemplo: compras um filme em DVD e passas para o tablet para o poderes ver nas férias.

Outro exemplo: compras um álbum no iTunes e gravas num CD áudio para o poderes ouvir no antigo autorádio do carro.

Ainda outro: compras um álbum em CD e copias para uma pen para poderes ouvir no computador.

Então mas isso quer dizer que tenho de pagar para consumir (num suporte/dispositivo diferente) um conteúdo que já comprei?

Sim! Estúpido, right?

Imagina teres de pagar por cada aparelhagem em que ouves um mesmo CD. É mais ou menos a mesma coisa, mas com ficheiros MP3 (por exemplo).

Espera lá! Mas todos os suportes pagam? Mesmo aqueles em que não vou fazer Cópia Privada?

Salvo raras excepções para profissionais, SIM! Discos para o computador, pen drives USB, telemóveis, tablets, box descodificadoras, etc…

Não basta seres taxado por eventualmente ires utilizar esse equipamento para consumires uma cópia do conteúdo que já pagaste, ainda és taxado por cada megabyte de capacidade (ocupada ou não) que esse equipamento tiver. Desde os ficheiros do próprio sistema, às fotos do cão, passando pelo vídeo privado com aquela ucraniana loura, tudo paga!

Mas e as selfies?

Pagam!

Mas esta taxa não é para defesa dos autores?

Como assim “para defesa dos autores”? Os autores já receberam pela sua obra quando a compraste legalmente. Não é justo que recebam de novo só porque queres consumir a obra noutro suporte.

Além disso quem recebe o valor destas taxas é a AGECOP, uma entidade criada para gerir estes dinheiros, que os distribui pelas associações suas associadas (após tirar o seu quinhão para “custos próprios”), associações essas (sendo a SPA o melhor exemplo) que depois os distribuem pelos autores seus associados (mais uma vez, após tirarem o seu quinhão para “custos próprios”), divisão essa que é feita com base nas vendas (físicas) de obras e feita apenas pelos autores devidamente inscritos e pagantes de quotas destas mesmas associações (entidades privadas).

Confuso não é? Pois!

Esta taxa é para a defesa do bolso de alguns, e não é dos autores.

Então e pirataria? Assim sempre se compensam os autores pela pirataria…

Cala-te pá!

Não existe NADA no projecto lei da Cópia Privada sobre pirataria.

A pirataria nada tem nada a ver com a Cópia Privada. Ponto final, parágrafo!

Mas de certeza que ao pagar a taxa da Cópia Privada não passam a ser legais todos os ficheiros de música e vídeo que tenho no meu disco?

Não. Só se os compraste legalmente noutro suporte e os COPIASTE para esse disco.

Mas há pessoas a favor da Lei da Cópia Privada que usam o argumento de que há muita pirataria e que se devem compensar os autores.

Pois há. E estão apenas a criar confusão e tentar obter simpatia por esta lei, apesar de o cu nada ter a ver com as calças.

Se querem resolver o problema da pirataria, façam-no de outra forma, nomeadamente aplicando (realmente) as leis já existentes sobre este tema. Usar a Cópia Privada como uma camuflagem é desonesto (à falta de melhor termo).

Mas há pessoas contra a Lei da Cópia Privada que usam o argumento de que não há como provar que fazem pirataria.

Pois há, e só estão a fazer um favor aos defensores da lei ao discutir um assunto que nada tem a ver com a Cópia Privada, ajudando na campanha de desinformação orquestrada pela AGECOP e seus associados.

Mas, mas…

“Mas, mas” uma merda! É dupla taxação! É roubo!

Este post é do ca…tano, mas o que eu gostava mesmo era de uma FAQ à séria! Escrita por pessoas que falem português e assim…

Estás no sítio errado, sóce. O que tu queres ler é isto: http://jonasnuts.com/faq-lei-da-copia-privada-pl118-491801

Time to change. Time to focus!

Category: Dia a dia | Date: 13 de Maio de 2014 às 23:54 | Seja o primeiro a comentar

Não acabei o curso de Engenharia Informática na FCT-UNL, por opção, porque comecei a trabalhar na noite, como DJ em bares locais.

Fui trabalhar para uma empresa de alumínios.

Dei suporte a aplicações de negociação em bolsa na MarketWare.

Fui responsável de informática no Grupo BF.

Em 2005 decidi abrir a minha própria empresa, a Webdados, com um sócio, o Rui Alfaro (a quem agradeço a confiança).

Acabei por adquirir a totalidade da empresa e fiquei dono e senhor do meu trabalho.

Muitos projectos iniciei e encerrei. Alguns rentáveis, outros nem por isso.

O blog.com.pt já vinha de 2002 e foi adoptado pela Webdados. Hoje este projecto deixou de fazer sentido e foi encerrado.

O encerramento deste site é apenas simbólico. Os próximos meses serão dedicados a focar-me naquilo que quero fazer no futuro próximo.

Trabalhar por conta própria parece muito bonito e fácil, mas não é. Se, como eu, te acomodares, a coisa não vai correr bem.

É tempo de mudança, é tempo de me focar.

O verão vai ser sabático. Tempo de diversão, de relax, de reflexão. Necessito desse tempo. Tenho de parar, descansar e reflectir.

Mais novidades em breve. Boas? Más? Veremos…

(Obrigado Paula por me aturares e apoiares nesta decisão)

A política e as redes sociais

Category: Dia a dia | Date: 22 de Março de 2014 às 15:11 | Seja o primeiro a comentar

É público que nas últimas autárquicas estive envolvido numa candidatura no meu concelho, a gerir a campanha online da mesma. Fi-lo por razões profissionais, mas também porque era a candidatura que apoiava, tendo dado muito mais à causa do que aquilo que financeiramente recebi.

Ingenuamente achei que as redes sociais iam ser um sucesso. A coisa não correu nada mal, mas a verdade é que a participação das pessoas ficou muito aquém das espectativas.

Numa lista com mais de 100 pessoas era de esperar que cada post no Facebook, onde “toda a gente” está, tivesse pelo menos 50 ou 75 partilhas. Nem os próprios interessados participam.

O meu amigo Pedro Aniceto partilhou esta experiência comigo, num concelho aqui ao lado, e várias vezes discutimos esta realidade e a incompreensão perante a atitude das pessoas com a política nas redes sociais.

O seu recente post no Facebook sobre esta temática levou-me a escrever este texto que já há um tempo andava aqui entalado.


A verdade é que as pessoas não gostam de ser confrontadas com as suas posições políticas e as redes sociais são uma janela aberta para o mundo.

Não se vai agora arriscar que aquele nosso “amigo” de Freixo de Espada à Cinta, que nunca vimos pessoalmente, nos questione ou não concorde com as nossas posições políticas.

Então e as pessoas que estão envolvidas na campanha offline, os familiares, os que vão abanar a bandeirinha aquando da visita do líder do partido ao concelho? Esses não participam nas redes sociais? Não. Nos eventos onde se vai abanar a bandeirinha são vistos por pouco mais que os seus pares, aqueles que consigo partilham a convicção política. No Facebook não…

O Facebook é para ser utilizado para as coisas “realmente importantes” como partilhar fotos de cães desaparecidos, revoltar-se contra a música que nos vai representar no Festival da Canção, falar das bolas do Ronaldo, jogar “Modafóquin Saga” ou fazer like na foto de decote generoso daquela nossa ex-colega boazona do secundário (enquanto se reza para que a mulher não note).

No online (como também no offline) o que fica bem é dizer: “são todos iguais”. Não nos comprometemos, não ferimos susceptibilidades e ainda damos uma de “rebelde” contra o sistema. Mais do que isso, como por exemplo participar ou apoiar uma candidatura com que mais nos identificamos, pode ser mal visto pelos “amigos” e não podemos deixar que isso aconteça.

Os políticos só “são todos iguais” porque nós os deixamos. Temos aquilo que merecemos.

Ninguém espera que se tornem políticos ou militantes. O que é exigível a todos é que se informem e informem os outros. Que tomem posição.

Passando para o offline: enquanto as pessoas acreditarem que a abstenção é uma forma de protesto, não vamos ter melhores políticos. Não tenham a mínima dúvida. Verdade como eu estar a escrever este post num local menos próprio.

Oh Pedro, quando é que vens cá beber um gin e comer umas Gambas à Brás?