WordCamp Europe 2017 em Paris – Vemo-nos por lá?

Category: Wordpress development | Date: 2 de Março de 2017 às 11:45 | Seja o primeiro a comentar

Configurar Traktor Kontrol S2 com som master no Mac + Pré-escuta no S2 + Shoutcast

Category: #meteDiscosWonderm00n | Date: 30 de Dezembro de 2016 às 23:00 | Seja o primeiro a comentar

Este miniguia explica como configurar o Traktor Pro 2 com um Traktor Kontrol S2, tendo o master mix nas colunas do Mac, pré-escuta (CUE) no Kontrol S2 e ainda a possibilidade de fazer broadcast para um servidor de Shoutcast com o butt.

Passo 1: Instalar o Loopback*, que nos vai permitir ter uma fonte de som virtual adicional, já que o butt “não gosta” do device virtual que vamos criar no passo seguinte.

Passo 2: Usar o “Audio Midi Setup”, que está nas “Utilities” do Mac OS X, para criar um “Aggregate Device” a que vamos adicionar o “Built-in Output” (no meu caso usei o “Display Audio” porque tenho um monitor com placa de som própria com melhor som que o portátil), o “Traktor Kontrol S2” e o “Loopback Audio”. No caso do Loopback Audio é necessário dar nomes aos canais esquerdo e direito. Eu usei “loopleft” e “loopright”. A criação deste device virtual é o que nos permite usar as colunas do computador para ouvir a mistura final e ao mesmo tempo o jack de headphones do S2 para pré-escuta. O Loopback entra na equação porque o butt “não gosta” deste “Aggregate Device” como fonte de som para fazer o broadcast.

Passo 3: No Traktor escolher este “Aggregate Device” como Audio Device. No “Output Routing” definir as colunas esquerdas e direitas do “Built-in Output” (no meu caso “Display Audio”) para “Output Master”, o “Headphone left” e “Headphone right” (do S2) para “Output Monitor” e o “loopleft” e “loopright” para “Output Record”.

Passo 4: No butt, configurar o “Loopback Audio” como “Audio Device” e ligar ao servidor de Shoutcast em causa.

Há ainda a possibilidade de gravar a sessão de mistura, seja com o sistema interno no Traktor Pro 2 ou no próprio butt, sem quaisquer configurações adicionais.

Confuso? Pois… mas funciona, para quem sabe o que se pretende fazer 😀

* O Loopback em versão freetrial adiciona ruído após 20 minutos de utilização.

Alojamento Local vai mudar (para beneficiar os hoteleiros, não os moradores ou a cidade)

Category: Dia a dia | Date: 16 de Dezembro de 2016 às 08:57 | 8 Comentários

Portugal é um país de turismo. O sector é um dos, senão o, sector com maior potencial de criação de riqueza no país. Há décadas que a nossa indústria, agricultura e pescas foram dizimadas, portanto há que aproveitar aquilo que ainda temos para vender: o bom tempo e o bem receber!

Há muito que as cidades de Lisboa e Porto estavam despidas de moradores. Os sucessivos congelamentos de rendas impossibilitaram os proprietários/senhorios de fazerem obras de melhoramentos. Foram ficando os velhos, que não tinham para onde ir. Quando estes morreram, os seus filhos e netos não quiseram morar numa cidade em ruínas.

Entretanto o mundo descobriu Lisboa, o Porto e as outras cidades do país. Quem pôde investiu, recuperou imóveis, e colocou-os a gerar riqueza para si, para os comerciantes que os rodeiam, para a cidade, para o país. Ajudam principalmente a economia local. O “faz-tudo” que realiza pequenas reparações, a lavandaria que trata das roupas, a vizinha do lado que faz as limpezas e recebe os turistas, o café do R/C, a papelaria da esquina, etc…

A legislação adaptou-se, de forma exemplar como é reconhecido mundialmente, e criou a figura do Alojamento Local, com regras, obrigações, direitos e deveres, impostos e fiscalização. Alguns tornaram-se legais, outros não. É função do estado separar o trigo do joio, multar e fiscalizar os ilegais e deixar os restantes promoverem o crescimento económico e justo do país. E o seu, claro.

Se as entidades responsáveis actuarem de forma firme sobre a economia paralela de alojamento temporário a turistas, metade dos “estabelecimentos” desaparecem resolvendo-se, de forma relativamente simples, o problema da pressão do turismo sobre a habitação e sobre os moradores referido ad nauseam nas caixas de comentários dos jornais e redes sociais pelos profetas da desgraça. No entanto, é mais fácil colocar os que estão legais a pagar mais impostos, como se prova pelo aprovado OE 2017. Por exemplo, em Espanha, onde não existe uma legislação para o AL, o Airbnb foi multado em 30 mil euros por permitir anúncios de propriedades ilegais, mas entretanto, e na minha opinião erradamente, um tribunal anulou a decisão. Em Portugal, apesar da legislação existente que obriga qualquer publicidade a conter o nº de registo do AL, o Airbnb continua a ter no seu website uma percentagem muito elevada de operadores à margem da lei, continuando a nossa fiscalização a assobiar para o lado. Fosse um AL legal com o extintor fora do sítio e a multa era certinha…

A cidade ficou bonita e apetecível. Aqueles filhos e netos que nela não quiseram viver, agora já querem. Eu também gostava de viver no centro da cidade, mas não posso. Os preços mudaram, obviamente. Reclamam agora que a cidade tem de ser dos moradores, com razão, é certo, mas esquecendo-se, ou não se querendo lembrar, de que não ajudaram a cidade quando ela necessitava de se erguer. Aqueles que levantaram a cidade das ruínas estão agora a ser alvo de uma campanha que visa matar os seus negócios, e toda a riqueza económica que à volta foi sendo criada. Acusam o turismo de ser o causador da desertificação das cidades, mas os argumentos são vazios e facilmente desmontados por quem sabe do que fala e recusa populismos bacocos.

Há até quem diga, que os moradores estão a voltar à cidade, vejam lá a ironia da coisa.

Os turistas preferem alojamento personalizado e a hotelaria já percebeu isso. Percebeu também que há uma comunidade de moradores que está contra este tipo de alojamento, por razões que têm a ver com o seu próprio umbigo e pouco mais do que isso.

A Associação da Hotelaria de Portugal entretanto chegou-se à frente, sem que ninguém lhe perguntasse a opinião, até porque (aparentemente e só aparentemente) nada têm a ver com o Alojamento Local, apresentando propostas de alterações na legislação. Faz até o papel de aliada da cidade e dos cidadãos. Na verdade os cidadãos vão servir os interesses da hotelaria, só que ainda não o sabem.

Em suma, a AHP lançou uma ofensiva sem igual ao AL, fazendo uma proposta extremista e sem contexto, emitindo e comprando opinião nos órgãos de comunicação social, engrossando a sua luta com os indignados das redes sociais e com aqueles que acham que viver no centro de uma capital europeia, a preços baixos, é um direito de todos, ignorando completamente aquilo que é o panorama em todas as grandes cidades do mundo.

Surge a ideia de que os condomínios passem a ter um papel determinante na autorização de um estabelecimento de AL. Todos sabemos o que vai acontecer. O povo é invejoso por natureza. Ninguém vai deixar que o negócio (legal) da vizinha do 3ºesq tenha sucesso. Já ao vizinho do 1ºdto, que está ilegal, não paga impostos, o condomínio não pode proibir de exercer porque o negócio não existe. Provavelmente ainda é congratulado como o espertalhão que consegue fazer uns trocos em vez de “andar a encher os bolsos ao chulos do estado”, como é apanágio do verdadeiro lusitano. Mas o estado somos todos nós…

Há até quem tenha desonestidade, ou ignorância, de alegar que no Alojamento Local os lucros são muito superiores aos do arrendamento tradicional para habitação. Não é apenas uma mentira, como é uma prova que o verdadeiro problema não é o não ter onde viver na cidade, é o facto de alguém estar a ter sucesso comercial.

Ao mesmo tempo que surge esta ideia peregrina de meter os condomínios ao barulho, os grandes grupos hoteleiros (e fundos de capitais) compram prédios inteiros por toda a cidade, transformando-os em Alojamento Local. Nesses prédios não há condomínio, porque só há um proprietário, ou mesmo havendo vários estão todos no mesmo barco. Não há quem possa proibir a abertura de centenas de estabelecimentos de AL de um dia para o outro. Só não vê, quem não quer. Basta fazer uma pesquisa no RNAL:

No final ganham os grandes grupos económicos hoteleiros, que além das tradicionais camas de hotel, passam também a controlar o Alojamento Local. Perdem os pequenos investidores, que com 1 ou 2 apartamentos complementam o seu rendimento familiar e fomentam a economia das ruas à volta desses mesmos apartamentos. Ganham os que vão continuar com estabelecimentos ilegais, porque a fiscalização não existe e os condomínios não lhes podem tocar.

Um aparte: Entretanto a AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal), que por um lado “representa” o Alojamento Local quando é hora de vender kits de primeiros socorros e extintores ou para sacar fundos ao Turismo de Portugal para fazer “estudos”, por outro representa a hotelaria e deixou de emitir opinião ou de falar sobre o AL. Será porque sentem que os grandes grupos económicos, com a ajuda dos indignados das redes sociais, enganados por artigos de jornais, vão conseguir alterar a legislação?

Volto um pouco atrás para comentar um argumento recorrente: Alguns dizem que há estabelecimentos AL demais e que um dia os turistas vão deixar Lisboa e Porto e bolha vai rebentar. Ataque-se a economia paralela e o mercado fica nivelado. Deixa de haver bolha para rebentar. Quando (e se) os turistas esquecerem o nosso país, ao menos as cidades ficaram recuperadas e todos os apartamentos que estiveram ao serviço do AL entram no mercado habitacional muito facilmente. Poderemos dizer o mesmo dos empreendimentos dos grupos hoteleiros? Não me parece.

O que é que vai acontecer à cidade? A cidade vai continuar a acolher turistas. Esses turistas vão ficar hospedados em unidades de AL de grupos hoteleiros, com pouca personalidade, sem a traça tradicional que caracteriza essa cidade e o país. Aí sim, todos vão perceber o que é a verdadeira gentrificação. Mas vai ser tarde demais. Aquilo que fizeram e defenderam, disfarçado de defesa da cidade e dos seus costumes, só vai servir os interesses de terceiros e é, em última análise, o que vai acabar com ela.

Depois não se queixem… depois vai ser tarde!

António Costa: “Está aí o turismo para puxar pelo alojamento local” – Reposição da verdade

Category: Dia a dia | Date: 20 de Outubro de 2016 às 11:35 | Seja o primeiro a comentar

O meu comentário ao artigo publicado no Jornal de Negócios.

não faz sentido manter um benefício fiscal para o alojamento local quando é necessário reafectar muitos imóveis ao arrendamento normal

ERRADO! Não há qualquer benefício no #AlojamentoLocal. O regime simplificado é igual para o AL, e para toda a hotelaria e restauração. Depois das alterações propostas, passa a haver discriminação sobre dois “sub-sectores” do AL (apartamentos e moradias), continuando os quartos, hostels, hotéis e restaurantes todos exactamente como estavam: com “benefício”. Além disso está a tentar resolver um problema de habitação de 2 freguesias de Lisboa prejudicando empresários de todo o país.

Por que é que o alojamento local há-de ter um tratamento preferencial relativamente ao arrendamento normal

ERRADO! Não tem. São coisas completamente diferentes. O AL é uma prestação de serviços, uma actividade comercial. O outro é um rendimento predial, do património.

O que preferimos? Dar um benefício fiscal a uma empresa que investe no interior, a quem cria uma start-up, às empresas industriais que têm de importar as suas matérias-primas ou ao alojamento local?

ERRADO! O turismo é o único sector económico com crescimento sustentável e de futuro que este país tem. A indústria já morreu no tempo do Dr. Cavaco Silva. E nem me façam falar das start-ups sorvedoras de fundos comunitários que vão à falência depois dos seus administradores comprarem os Panameras…

Está aí o turismo para puxar pelo alojamento local

Como é que é?? Se mexe: taxa mais, era isso que queria dizer?

O alojamento local tinha um benefício fiscal que significava que apenas 15% da facturação das unidades de alojamento local era considerada matéria tributável

ERRADO de novo! Não é um benefício. É o mesmo que tem toda a hotelaria e restauração em regime simplificado. O que vocês não querem que as pessoas saibam é que esses mantêm o “benefício”.

O que se fez para contribuir para o esforço público de sustentabilidade do nosso sistema foi: aumentar estes 15% para os 35%” para as pessoas que estão no regime simplificado de IRS.

ERRADO! O que se fez foi aumentar dos 15% para os 35% para ALGUMAS pessoas que estão no regime simplificado de IRS. Os hotéis, restaurantes, quartos e hostels ficam na mesma.

Estamos a fazer um trabalho com as plataformas, como a Airbnb, a dizer às pessoas: venham para dentro do mercado.

ERRADO! Estão a empurrar as pessoas para a ilegalidade em vez de fiscalizar o mercado paralelo. A tarefa de fiscalizar o mercado paralelo é da máquina do estado, e não das plataformas, trabalho esse que não tem sido feito. É mais fácil aumentar a carga fiscal sobre os que estão legais do que aumentar a base de tributação.

 

Posto isto, eu não sou totalmente contra o aumento do coeficiente. Mas sou da opinião que para se obter justiça fiscal, se devia aumentar, por exemplo, para 25% em TODO o sector que actualmente está nos 15% e não 35% para apenas duas modalidades de um dos sectores. Assim existiria igualdade e não “benefícios”.

Carta aos Grupos Parlamentares sobre a eventual alteração da carga fiscal no #AlojamentoLocal

Category: Dia a dia | Date: 1 de Outubro de 2016 às 21:23 | 3 Comentários

Carta enviada a todos os grupos parlamentares, a 1 de Outubro de 2016, sobre a eventual alteração da carga fiscal no Alojamento Local:

Exmos. Srs.,

O meu nome é Marco Almeida e faço exploração de um estabelecimento de Alojamento Local, devidamente legalizado, com o nº *****/AL, na vila de ******.

É com perplexidade que leio notícias sobre o facto do próximo Orçamento de Estado representar um eventual aumento da carga fiscal sobre esta actividade económica, passando a compará-la ao arrendamento tradicional e taxando-a da mesma forma.

Já não basta o facto dos estabelecimentos legais terem de concorrer com uma quantidade astronómica de oferta paralela, ilegal, que não é devidamente fiscalizada, e agora ainda teremos, segundo proposta do governo, de contribuir com a mesma carga fiscal que um arrendamento passivo de um bem imóvel, quando não é disso que se trata no caso do Alojamento Local.

Comecemos por aqui: O AL é uma prestação de serviços, não é um arrendamento! Ponto. Final. Parágrafo.

Por muito que alguns sectores políticos e comerciais deste país o queiram colar ao arrendamento, não é disso que se trata. É de uma ignorância gritante comparar estas duas realidades. Chegamos ao ponto de termos líderes da oposição, que são contra este aumento de impostos (pela única razão de que são oposição), a dizer publicamente que se deve equiparar descendo a carga fiscal dos arrendamentos para valores semelhantes aos do AL. Nada tenho contra a baixa de impostos para o arrendamento. O que aqui está em causa é ignorância, porque são realidades completamente distintas. É uma premissa errada aceitar a equiparação, seja subindo impostos para uns ou descendo para outros.

Actualmente o AL é equiparado à restante hotelaria, nomeadamente a nível fiscal, e é assim que deve continuar. Curiosamente ninguém fala em aumento da carga fiscal da restante hotelaria, controlada por poderosos grupos económicos, com interesses instalados e poder político, a quem interessa que o AL simplesmente deixe de existir, fazendo lobby para que o AL deixe de ser uma alternativa aos seus serviços. O AL é maioritariamente explorado por proprietários com 1 ou 2 apartamentos, representando pouco mais do que um extra para as contas familiares, apesar do muito trabalho que representa.

O que o governo, e a restante classe política que concorda com estas alterações, se calhar não entende é que sem o AL, Portugal não teria a capacidade de receber a quantidade de turistas que tem recebido nos últimos anos. Que muitos turistas preferem um alojamento independente, onde possam fazer as suas refeições e ter os seus horários.

Com a alteração fiscal que está em cima da mesa, os actuais mais de 30 mil estabelecimentos de AL existentes em Portugal vão deixar de ser rentáveis e vão simplesmente desaparecer (legalmente…), muitos deles passando, de novo, a operar na clandestinidade, provando assim que esta alteração terá um efeito perverso e completamente contrário aquele que pretende atingir.

Mas afinal que país é este em que se apregoa a inovação, o empreendedorismo, em que se criam condições e isenções para a criação de novos negócios e depois se penaliza aqueles que, precisamente, o fazem? Que país é este em que tudo se faz para acolher grandes eventos destas temáticas da inovação e do empreendedorismo e depois, cinicamente, faz o contrário a nível fiscal? E já agora, onde é que se vão alojar os participantes do Web Summit (e outros eventos) a partir de 2017 quando os AL começarem a fechar por falta de condições financeiras para se manterem em funcionamento? O país tem oferta hoteleira para tal?

Não seria mais sensato fazer verdadeira e eficazmente fiscalização à economia paralela de alojamento para turistas e já agora do arrendamento para habitação / estudantes / professores deslocados, etc… É que é aí que estão muitos milhões de euros de impostos por cobrar. É mais fácil cobrar aqueles que já constam da base de dados do fisco, certo? Pois, mas a seriedade dá trabalho, e se o estado obriga os profissionais do AL, e todos os restantes agentes económicos, a serem sérios, a única coisa que podemos esperar em retorno é que também a máquina do estado seja séria, actuando primeiro sobre a ilegalidade e só depois punindo fiscalmente aqueles que já contribuem com os seus impostos.

Mas voltando às diferenças entre o AL e o arrendamento:

Arrendamento tradicional:

  • É um rendimento passivo de um bem imóvel;
  • Os imóveis são arrendados de paredes nuas, sem mais nenhum serviço associado;
  • O inquilino é responsável por todo o recheio da casa e restantes condições de habitabilidade;
  • Os custos para o proprietário são:
    • IMI;
    • Condomínio;
    • Seguros;
    • Obras;

Alojamento Local:

  • É uma prestação de serviços, e não um arrendamento;
  • Os imóveis não são arrendados, mas sim disponibilizados como parte de um serviço de alojamento que inclui:
    • Mobiliário;
    • Roupa de cama e banho;
    • Limpeza;
    • Pequeno-almoço (em determinadas situações, por opção do proprietário);
    • Check-in e check-out;
    • Disponibilidade 24h/dia para prestar apoio ao turista;
    • Electricidade;
    • Climatização;
    • Gás;
    • Água (a taxas comerciais e não residenciais em muitos concelhos);
    • TV;
    • Internet;
    • E toda uma outra panóplia de serviços prestados de forma, muitas vezes informal, aqueles que visitam o nosso país, mas incluídos no valor cobrado e facturado;
  • Os custos e responsabilidades do proprietário são:
    • IMI;
    • Condomínio;
    • Seguros;
    • Obras;
    • IVA;
    • Comissões de reservas dos operadores de booking;
    • Manutenção regular do recheio da casa;
    • Consumíveis (wc, amenities, cozinha, etc…);
    • Comunicação ao SEF das entradas e saídas de turistas estrangeiros;
    • Contabilidade muito mais complexa do que no caso do arrendamento;
    • Segurança Social;
    • Ter equipamentos de segurança como extintor, manta contra fogo, kit de primeiros socorros;
    • Ter livro de reclamações e estar sujeito a inspecções por parte da ASAE e do Turismo de Portugal;
    • TODOS os pontos referidos anteriormente sobre aquilo que o serviço de AL inclui, nomeadamente: roupas, limpeza, electricidade, aquecimento, climatização, gás, água, tv, internet, etc…

Há ainda outro factor, que deixei fora da comparação analítica anterior propositadamente, que parece que ninguém se lembra quando compara as duas realidades. No arrendamento, numa situação normal, a ocupação anual é de 100%. No AL, em boa localização, serão 3 ou 4 meses de época alta + fins de semana no resto do ano.

Existe ainda o argumento da falta de habitação permanente para arrendamento por causa do AL. Ora isto é uma falácia, porque para já é um problema restrito a 2 ou 3 freguesias de Lisboa e Porto, e por outro lado porque antes dos imóveis destas freguesias terem sido recuperados pelos investidores do AL, de terem aparecidos novos estabelecimentos, de todos estes locais serem mais agradáveis para viver por acção directa e indirecta do turismo, ninguém queria viver nas mesmas.

Pode-se também usar o argumento da gentrificação e desaparecimento da autenticidade das cidades, ou melhor, de 2 ou 3 freguesias de 2 cidades, do nosso país. São problemas? Claro que são, e há que combatê-los de forma localizada. O que não é aceitável é que se penalizem mais de 90% dos empresários de AL por causa de um problema limitado a localizações onde estão apenas cerca de 8% dos estabelecimentos. (Fonte: http://www.alep.pt/app/download/13605357022/Documento_PosicaoALEPFiscalidade_V2.pdf)

Por todos os motivos apresentados nesta minha missiva, e pelo interesse nacional no desenvolvimento do sector do turismo (aquele que representa, de longe, mais possibilidades de enriquecimento da nossa economia), peço a V. Exas. que, no parlamento, no governo, no seio dos vossos partidos, lutem contra esta alteração fiscal que não beneficia ninguém, nem o estado, muito pelo contrário.

Os meus melhores cumprimentos,
Marco Almeida

 

Actualização 3 de Outubro, 17:00
Resposta do Grupo Parlamentar “Os Verdes” a 3 de Outubro, com os meus comentários (a bold e itálico), enviados na mesma data:

Exmo Senhor Marco Almeida,

Acusamos a receção e agradecemos a sua mensagem que mereceu a nossa melhor atenção e da qual tomámos a devida nota.

Relativamente ao assunto em apreço, importa frisar que das unidades de Alojamento Local em Portugal, 23% estão concentradas nos centros urbanos de Lisboa e do Porto, sendo que Lisboa reúne 17% da oferta, segundo dados apurados pela Associação de Alojamento Local Em Portugal (ALEP).

Por exemplo, as freguesias de Santa Maria Maior e da Misericórdia, no centro de Lisboa, concentram 8,8% do total nacional da oferta de alojamento local.

E é essencialmente por causa destes 8.8% que agora se está a planear penalizar os restantes 91.2%.

A estes ainda há que somar os apartamentos e quartos que não estão registados e que são arrendados à margem da lei.

Esses não podem ser somados nas contas oficiais. São outra realidade que é necessário combater. Não faz qualquer sentido penalizar quem está legal com base em números nos quais se incluem os que estão à margem da lei. É única e simplesmente imoral.

Para Os Verdes o Alojamento Local apresenta um conjunto de impactos positivos na regeneração dos centros urbanos, na requalificação do património edificado, na diversificação social, no complemento de receita dos moradores, na criação de emprego e na recuperação económica. Em contrapartida, a oferta excessiva e concentrada do alojamento local numa área da cidade pode ter inconvenientes que importa mitigar, nomeadamente ao nível da redução da oferta de arrendamento habitacional convencional, a inflação dos valores da habitação, a saída dos residentes locais para zonas periféricas e a descaracterização dos bairros tradicionais.

E essas situações devem, claramente, ser alvo de intervenção, mas não à custa da grande maioria dos ALs que não estão nesses bairros tradicionais.

Desta forma, importa potenciar ainda mais os aspetos positivos e mitigar alguns dos seus efeitos nocivos através da realização de alguns ajustes ao Regime Jurídico do Alojamento Local que está a ser objeto de reapreciação na Assembleia da República. Obviamente que o combate aos apartamentos e quartos ilegais não será descurado.

Até agora só temos visto acções de fiscalização nos ALs legais, devidamente comunicadas pela AT aos OCS.

Não tenho conhecimento, pelo menos em sede noticiosa ou de comunicados da AT do encerramento ou aplicação de coimas a estabelecimentos ilegais de alojamento.

Em suma, o objetivo central é limitar o número total de estabelecimentos licenciados por requerente e por prédio face aos limites que já existem na legislação em vigor, no sentido de promover uma atuação mais responsável no alojamento local, pautando a atuação do sector por uma maior transparência e contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável do turismo e a melhoria da qualidade de vida das pessoas que habitam e visitam as cidades de Lisboa e Porto. Não se pretende criar mais obstáculos aos pequenos operadores, mas aos grandes grupos económicos de alojamentos locais que acabam por ocupar a totalidade de vários prédios com esta atividade económica.

Esperamos que efectivamente seja esse um dos objectivos a cumprir, porque com esse tipo de limitações eu consigo concordar.

O que eu não consigo conceber é como é que a grande maioria dos pequenos operadores, que têm 1 a 2 alojamentos, sejam ainda mais penalizados com impostos.

Dou-lhe o exemplo do meu caso. Tenho um pequeno estúdio na vila de ****** que é operado por mim com ajuda da minha mãe. É uma pequeníssima operação familiar cujo rendimento pouco mais faz do que complementar o orçamento mensal. Como é que se justifica um brutal aumento de impostos, como aquele que parece que vai ser proposto em sede de Orçamento de Estado, da solução governativa de esquerda que o PEV apoia, para um caso como o meu? (e de tantos outros milhares na mesma situação)

Existe uma falsa sensação na opinião pública, e consequentemente política, de que o AL tem impostos muito baixos, o que é falso. É importante perceber a estrutura de custos, a taxa de ocupação e o trabalho envolvido antes de tirar estas conclusões.

Sem mais de momento, apresentamos os melhores cumprimentos,

Joana Gomes da Silva
Chefe de Gabinete
Grupo Parlamentar “Os Verdes”

 

Actualização 22 de Novembro, 23:30
Resposta do Grupo Parlamentar do PCP a 22 de Novrembro:

Exmo. Sr. Marco Almeida,

Acusamos receção e agradecemos o contacto e a reflexão que nos é colocada.

Relativamente ao alojamento local também já alertámos o atual Governo que os problemas sugeridos com alguns impactos negativos no mercado de arrendamento urbano provocados pelo crescimento da oferta de alojamento local não são resolúveis com medidas fiscais, nomeadamente em sede de IRS e IRC (mais ainda em sede dos respetivos regimes simplificados).

Gostaríamos, neste contexto de registar que quando o Governo anterior do PSD e do CDS, com o acordo do PS, aprovou a alteração ao Código do IRC alertámos para a incongruência que passava a existir entre o regime simplificado do IRS com o novo regime simplificado do IRC.

Por fim, esta questão não será esquecida na intervenção concreta do PCP na discussão em especialidade do Orçamento do Estado para 2017, embora a mesma venha a assumir a forma que considerarmos que melhor defenda a proposta global do orçamento, nomeadamente nas prioridades definidas pelo PCP de recuperação de rendimentos e direitos dos trabalhadores e pensionistas.

Gostaríamos, ainda, de valorizar a proposta do PCP apresentou de redução do PEC e a sua substituição até final da legislatura por coeficientes técnico-científicos por setor de atividade.

Com os melhores cumprimentos,

Pedro Ramos
Chefe de Gabinete do Grupo Parlamentar do PCP