Pasta Caffé – Ristorante Italiano (só que não…)

Category: Dia a dia | Date: 29 de Junho de 2017 às 22:14 | Seja o primeiro a comentar

Hoje fomos às compras ao Almada Forum. Disse à Paula e ao Luís que me apetecia comer algo não muito caro, mas sem ser fast food. Concordaram.

Há bastante tempo que estava para experimentar o Pasta Caffé – Ristorante Italiano e pareceu-me uma boa oportunidade. É certo que tinha noção que, sendo um restaurante de centro comercial, não iria ter a verdadeira experiência de um restaurante italiano, mas a carta surpreendeu-me, nomeadamente no statement: “Pasta – Fresca, como deve ser“. O facto de todos os pratos estarem designados em italiano mostrava também algum cuidado.

Vamos lá experimentar isto, disse eu à família.

Spoiler: É tudo jajão!

Pedimos para entrada um “trio” de pães de alho com tomate, bacon e mozarella. Não estavam maus, mas tratava-se claramente de pão industrial congelado. Igual à Pizza Hut, vá.

Para pratos principais pedimos uma “Lasagna Classica” e um “Spaghetti alla Bolognese” a serem partilhados pelos três.

O “Spaghetti alla Bolognese” anunciava ser “segundo a receita original”, mas como eu sou um ignorante nestas coisas, e cá em casa o “tradicional” é refogado, carne e tomate, decidi perguntar o que levava esta receita. O simpático funcionário indicou-me que levava cenoura em cubos. Ora como eu sou esquisitinho do caralho™ com a comida, pedi que não usassem cenoura, ao que o funcionário me respondeu que ia verificar se era possível. Primeiro sinal de alarme: como assim “verificar se é possível”? Então mas não estamos a falar de comida fresca? Pois… não estamos. Veio a resposta: o molho já está feito. Bem, fazem mise en place (pensei eu). Venha lá isso, mesmo com cenoura.

Depois de 40 minutos à espera, chegam os dois pratos.

Tanto a massa da lasanha como o esparguete não são frescos. Longe disso. Massinha seca de pacote e já gozas. No momento optei por não reclamar. Bem, que se lixe. Vamos lá comer isto que também não é assim tão caro.

Afinal era caro. Bem caro. Caro demais para o que nos esperava.

O molho de bolonhesa (e seus cubos de cenoura com 1x1cm) era exactamente o mesmo no esparguete e na lasanha (ok, ambos são bolonhesa), mas igualmente mau em ambos os pratos. Parecia ter sido feito há uma semana. Não havia muito a fazer, fomos comendo até porque já tínhamos perdido bastante tempo à espera da comida (lembrem-se, não é fast food), na certeza porém de que iríamos fazer os devidos reparos no final da refeição.

Uma das funcionárias quando passa pela nossa mesa pergunta, simpática e profissionalmente, se estava tudo bem. Tive que responder que “mais ou menos”. Pedi a ementa para confirmar uma coisa. Eu próprio fiquei na dúvida se tinha lido “fresca, como deve ser” e se essa frase estava no topo da lista de pastas ou apenas em alguma pasta específica.

Está no topo da lista, logo a seguir ao título, em jeito de introdução a todas as pastas.

Indiquei à funcionária que aquilo era um erro, uma mentira, um engano para o cliente. Respondeu-me que existiam duas pastas efectivamente frescas, ao que respondi que então deveriam indicar nessas pastas específicas e não no topo da lista, ou correm o risco do cliente simplesmente mandar o prato para trás. Assunto arrumado, não há mais argumentos sobre este ponto: a massa é seca, de pacote!

Voltemos ao molho. Pedi para perguntar ao chef (sim, há um chef) há quanto tempo tinha sido feito o molho bolonhesa, já que parecia ter facilmente uma semana. A resposta foi “o molho já vem feito”. Como assim, “já vem feito?”, pergunto eu. “Já vem feito do nosso fornecedor”. Afinal a “pasta fresca, com deve ser” é seca e de pacote e o molho é de fábrica.

O molho nem sequer é feito numa cozinha. Vem de uma fábrica!

O que me choca não é a massa ser seca e o molho de fábrica. O que me choca é a mentira. O facto de se apresentarem como um restaurante italiano, com massa e ingredientes frescos, recusando o título de fast food, quando na verdade servem comida pior do que aquela que se compra congelada e de uma marca branca de um qualquer hipermercado.

De 0 a 10, o Pasta Caffé leva 1.
(Apenas porque os funcionários, apesar de parecerem ter formação zero, são simpáticos e profissionais.)

Comunicação enviada ao HGO, ARS Lisboa, DGS e Min. Saúde sobre os “fumódromos” à porta do Hospital de Almada

Category: Dia a dia | Date: 30 de Março de 2017 às 10:00 | Seja o primeiro a comentar
Exmo. Presidente do Conselho de Administração do HGO, Joaquim Ferro,
Exma. Directora Clínica do HGO, Ana Neves,
Exmo. Director-Geral da Saúde, Francisco George,
Exma. Presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Rosa Matos,
Exmo. Sr. Ministro da Saúde, Adalberto Fernandes,
Na qualidade de utente do Hospital Garcia de Orta em Almada, venho por este meio expressar o meu profundo desagrado sobre uma situação que se perpetua nas 3 entradas principais do mesmo: o facto de terem sido transformadas em espaços de fumo oficiosamente autorizados (através da colocação de cinzeiros).
Nos 3 grandes acessos ao hospital: entrada principal, urgências e consultas externas, é impossível aceder ao edifício sem passar por uma cortina de fumo criada pelas dezenas de utentes, visitantes e funcionários que se concentram à porta a fumar.
Não me parece fazer sentido algum existir legislação que proíbe o acto de fumar dentro de edifícios hospitalares e ao mesmo tempo permitir que se faça o mesmo a 1 metro da porta.
Não sei qual é o cenário noutros hospitais, mas obviamente este meu reparo é extensível a todas as unidades em que o mesmo aconteça.
Os fumadores não são menos cidadãos, aliás eu próprio fui fumador durante muitos anos, não deve é o direito de fumar impor-se ao direito de ar limpo dos que não fumam, com especial importância em estruturas de cuidados de saúde.
Estou certo que V. Exas. tomarão as medidas necessárias para que este tipo de situações cesse com a maior urgência possível, sendo que a mais longo prazo seria aconselhável a criação de espaços para fumadores nestas grandes infra-estruturas hospitalares, desde que devidamente afastadas do edifício e das suas entradas.
Melhores cumprimentos,
Marco Almeida

WordCamp Europe 2017 em Paris – Vemo-nos por lá?

Category: Wordpress development | Date: 2 de Março de 2017 às 11:45 | Seja o primeiro a comentar

Configurar Traktor Kontrol S2 com som master no Mac + Pré-escuta no S2 + Shoutcast

Category: #meteDiscosWonderm00n | Date: 30 de Dezembro de 2016 às 23:00 | Seja o primeiro a comentar

Este miniguia explica como configurar o Traktor Pro 2 com um Traktor Kontrol S2, tendo o master mix nas colunas do Mac, pré-escuta (CUE) no Kontrol S2 e ainda a possibilidade de fazer broadcast para um servidor de Shoutcast com o butt.

Passo 1: Instalar o Loopback*, que nos vai permitir ter uma fonte de som virtual adicional, já que o butt “não gosta” do device virtual que vamos criar no passo seguinte.

Passo 2: Usar o “Audio Midi Setup”, que está nas “Utilities” do Mac OS X, para criar um “Aggregate Device” a que vamos adicionar o “Built-in Output” (no meu caso usei o “Display Audio” porque tenho um monitor com placa de som própria com melhor som que o portátil), o “Traktor Kontrol S2” e o “Loopback Audio”. No caso do Loopback Audio é necessário dar nomes aos canais esquerdo e direito. Eu usei “loopleft” e “loopright”. A criação deste device virtual é o que nos permite usar as colunas do computador para ouvir a mistura final e ao mesmo tempo o jack de headphones do S2 para pré-escuta. O Loopback entra na equação porque o butt “não gosta” deste “Aggregate Device” como fonte de som para fazer o broadcast.

Passo 3: No Traktor escolher este “Aggregate Device” como Audio Device. No “Output Routing” definir as colunas esquerdas e direitas do “Built-in Output” (no meu caso “Display Audio”) para “Output Master”, o “Headphone left” e “Headphone right” (do S2) para “Output Monitor” e o “loopleft” e “loopright” para “Output Record”.

Passo 4: No butt, configurar o “Loopback Audio” como “Audio Device” e ligar ao servidor de Shoutcast em causa.

Há ainda a possibilidade de gravar a sessão de mistura, seja com o sistema interno no Traktor Pro 2 ou no próprio butt, sem quaisquer configurações adicionais.

Confuso? Pois… mas funciona, para quem sabe o que se pretende fazer 😀

* O Loopback em versão freetrial adiciona ruído após 20 minutos de utilização.

Alojamento Local vai mudar (para beneficiar os hoteleiros, não os moradores ou a cidade)

Category: Dia a dia | Date: 16 de Dezembro de 2016 às 08:57 | 8 Comentários

Portugal é um país de turismo. O sector é um dos, senão o, sector com maior potencial de criação de riqueza no país. Há décadas que a nossa indústria, agricultura e pescas foram dizimadas, portanto há que aproveitar aquilo que ainda temos para vender: o bom tempo e o bem receber!

Há muito que as cidades de Lisboa e Porto estavam despidas de moradores. Os sucessivos congelamentos de rendas impossibilitaram os proprietários/senhorios de fazerem obras de melhoramentos. Foram ficando os velhos, que não tinham para onde ir. Quando estes morreram, os seus filhos e netos não quiseram morar numa cidade em ruínas.

Entretanto o mundo descobriu Lisboa, o Porto e as outras cidades do país. Quem pôde investiu, recuperou imóveis, e colocou-os a gerar riqueza para si, para os comerciantes que os rodeiam, para a cidade, para o país. Ajudam principalmente a economia local. O “faz-tudo” que realiza pequenas reparações, a lavandaria que trata das roupas, a vizinha do lado que faz as limpezas e recebe os turistas, o café do R/C, a papelaria da esquina, etc…

A legislação adaptou-se, de forma exemplar como é reconhecido mundialmente, e criou a figura do Alojamento Local, com regras, obrigações, direitos e deveres, impostos e fiscalização. Alguns tornaram-se legais, outros não. É função do estado separar o trigo do joio, multar e fiscalizar os ilegais e deixar os restantes promoverem o crescimento económico e justo do país. E o seu, claro.

Se as entidades responsáveis actuarem de forma firme sobre a economia paralela de alojamento temporário a turistas, metade dos “estabelecimentos” desaparecem resolvendo-se, de forma relativamente simples, o problema da pressão do turismo sobre a habitação e sobre os moradores referido ad nauseam nas caixas de comentários dos jornais e redes sociais pelos profetas da desgraça. No entanto, é mais fácil colocar os que estão legais a pagar mais impostos, como se prova pelo aprovado OE 2017. Por exemplo, em Espanha, onde não existe uma legislação para o AL, o Airbnb foi multado em 30 mil euros por permitir anúncios de propriedades ilegais, mas entretanto, e na minha opinião erradamente, um tribunal anulou a decisão. Em Portugal, apesar da legislação existente que obriga qualquer publicidade a conter o nº de registo do AL, o Airbnb continua a ter no seu website uma percentagem muito elevada de operadores à margem da lei, continuando a nossa fiscalização a assobiar para o lado. Fosse um AL legal com o extintor fora do sítio e a multa era certinha…

A cidade ficou bonita e apetecível. Aqueles filhos e netos que nela não quiseram viver, agora já querem. Eu também gostava de viver no centro da cidade, mas não posso. Os preços mudaram, obviamente. Reclamam agora que a cidade tem de ser dos moradores, com razão, é certo, mas esquecendo-se, ou não se querendo lembrar, de que não ajudaram a cidade quando ela necessitava de se erguer. Aqueles que levantaram a cidade das ruínas estão agora a ser alvo de uma campanha que visa matar os seus negócios, e toda a riqueza económica que à volta foi sendo criada. Acusam o turismo de ser o causador da desertificação das cidades, mas os argumentos são vazios e facilmente desmontados por quem sabe do que fala e recusa populismos bacocos.

Há até quem diga, que os moradores estão a voltar à cidade, vejam lá a ironia da coisa.

Os turistas preferem alojamento personalizado e a hotelaria já percebeu isso. Percebeu também que há uma comunidade de moradores que está contra este tipo de alojamento, por razões que têm a ver com o seu próprio umbigo e pouco mais do que isso.

A Associação da Hotelaria de Portugal entretanto chegou-se à frente, sem que ninguém lhe perguntasse a opinião, até porque (aparentemente e só aparentemente) nada têm a ver com o Alojamento Local, apresentando propostas de alterações na legislação. Faz até o papel de aliada da cidade e dos cidadãos. Na verdade os cidadãos vão servir os interesses da hotelaria, só que ainda não o sabem.

Em suma, a AHP lançou uma ofensiva sem igual ao AL, fazendo uma proposta extremista e sem contexto, emitindo e comprando opinião nos órgãos de comunicação social, engrossando a sua luta com os indignados das redes sociais e com aqueles que acham que viver no centro de uma capital europeia, a preços baixos, é um direito de todos, ignorando completamente aquilo que é o panorama em todas as grandes cidades do mundo.

Surge a ideia de que os condomínios passem a ter um papel determinante na autorização de um estabelecimento de AL. Todos sabemos o que vai acontecer. O povo é invejoso por natureza. Ninguém vai deixar que o negócio (legal) da vizinha do 3ºesq tenha sucesso. Já ao vizinho do 1ºdto, que está ilegal, não paga impostos, o condomínio não pode proibir de exercer porque o negócio não existe. Provavelmente ainda é congratulado como o espertalhão que consegue fazer uns trocos em vez de “andar a encher os bolsos ao chulos do estado”, como é apanágio do verdadeiro lusitano. Mas o estado somos todos nós…

Há até quem tenha desonestidade, ou ignorância, de alegar que no Alojamento Local os lucros são muito superiores aos do arrendamento tradicional para habitação. Não é apenas uma mentira, como é uma prova que o verdadeiro problema não é o não ter onde viver na cidade, é o facto de alguém estar a ter sucesso comercial.

Ao mesmo tempo que surge esta ideia peregrina de meter os condomínios ao barulho, os grandes grupos hoteleiros (e fundos de capitais) compram prédios inteiros por toda a cidade, transformando-os em Alojamento Local. Nesses prédios não há condomínio, porque só há um proprietário, ou mesmo havendo vários estão todos no mesmo barco. Não há quem possa proibir a abertura de centenas de estabelecimentos de AL de um dia para o outro. Só não vê, quem não quer. Basta fazer uma pesquisa no RNAL:

No final ganham os grandes grupos económicos hoteleiros, que além das tradicionais camas de hotel, passam também a controlar o Alojamento Local. Perdem os pequenos investidores, que com 1 ou 2 apartamentos complementam o seu rendimento familiar e fomentam a economia das ruas à volta desses mesmos apartamentos. Ganham os que vão continuar com estabelecimentos ilegais, porque a fiscalização não existe e os condomínios não lhes podem tocar.

Um aparte: Entretanto a AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal), que por um lado “representa” o Alojamento Local quando é hora de vender kits de primeiros socorros e extintores ou para sacar fundos ao Turismo de Portugal para fazer “estudos”, por outro representa a hotelaria e deixou de emitir opinião ou de falar sobre o AL. Será porque sentem que os grandes grupos económicos, com a ajuda dos indignados das redes sociais, enganados por artigos de jornais, vão conseguir alterar a legislação?

Volto um pouco atrás para comentar um argumento recorrente: Alguns dizem que há estabelecimentos AL demais e que um dia os turistas vão deixar Lisboa e Porto e bolha vai rebentar. Ataque-se a economia paralela e o mercado fica nivelado. Deixa de haver bolha para rebentar. Quando (e se) os turistas esquecerem o nosso país, ao menos as cidades ficaram recuperadas e todos os apartamentos que estiveram ao serviço do AL entram no mercado habitacional muito facilmente. Poderemos dizer o mesmo dos empreendimentos dos grupos hoteleiros? Não me parece.

O que é que vai acontecer à cidade? A cidade vai continuar a acolher turistas. Esses turistas vão ficar hospedados em unidades de AL de grupos hoteleiros, com pouca personalidade, sem a traça tradicional que caracteriza essa cidade e o país. Aí sim, todos vão perceber o que é a verdadeira gentrificação. Mas vai ser tarde demais. Aquilo que fizeram e defenderam, disfarçado de defesa da cidade e dos seus costumes, só vai servir os interesses de terceiros e é, em última análise, o que vai acabar com ela.

Depois não se queixem… depois vai ser tarde!