Acabei de ver agora um documentário sobre as Petrona Towers, em Kuala Lumpur, na Malásia, em que falaram de um problema informático com os computadores que controlavam a subida/instalação da ponte suspensa entre as duas torres. Isto fez-me lembrar da situação mais improvável que tive de resolver na minha profissão como informático. Em 2009 abriu o prolongamento da linha vermelha do Metro de Lisboa, que liga a Alameda a São Sebastião, resolvendo um dos maiores problemas da rede de metropolitano de Lisboa. Antes disso, e durante a obra, a minha empresa, a Webdados, era fornecedora de material de escritório e consumíveis à obra e ocasionalmente fornecia serviços de suporte informático à (estranha) rede informática da mesma. Esta obra foi realizada por um consórcio de empresas, a SBMS: Somague, BPC, Mota-Engil e SPIE. Cada uma destas empresas tinha o seu suporte informático mas existia a necessidade de ter serviços de suporte independentes específicos para a obra. Aqui entrava eu. Numa sexta-feira ao final da tarde ligam-me da obra a dizer que a tuneladora (TBM) estava parada. A primeira coisa que pensei foi: “enganaram-se no número. O que raio tenho eu a ver com uma máquina monstruosa, enterrada a dezenas de metros de profundidade, e que é o coração da obra?!” Mas afinal não se tinham enganado… O computador que controlava a TBM tinha crashado e não arrancava. O erro era claro e tratava-se de um problema de disco. tbm O custo de pedir suporte ao fabricante da tuneladora era algo assustador, além de que a obra estava parada e não se podia esperar que um técnico se deslocasse do outro lado do mundo para resolver o problema. A perfuração tinha de continuar. Ainda na sexta-feira, e ao telefone, consegui que alguém na obra entrasse na BIOS do computador e me transmitisse as características do disco instalado. Consegui, quase por milagre, arranjar um disco muito semelhante e no sábado de manhã estava na Alameda para resolver o problema. Aqui a coisa começa a ficar estranha. Sou dirigido para um contentor onde me entregam um fato de macaco, capacete e botas… Na minha ingenuidade pensei que o computador que controlava a TBM estava instalado à superficie, mas afinal não. Depois de me equipar fui levado para o elevador instalado no poço de acesso ao túnel, que na verdade pouco mais era do que uma jaula metálica, e que me levou às profundezas da obra. Fui depois transportado num camião, adaptado a circulação em túneis, por alguns kms até chegar à frente de obra, onde estava a TBM, parada, à minha espera. O ambiente era assustador: quente, húmido, escuro. Atravessei toda a extensão da TBM por escadas, corredores e passadiços, dignos de um filme de terror, até chegar ao ponto onde está o computador, com Windows 95 (sighs!!) que controla todo o sistema, quase na frente da máquina, a metros da parede que deveria estar a ser perfurada. O computador estava instalado numa caixa metálica, estanque, e que deu algum trabalho a abrir, por parte de um dos operários. Depois de confirmado o problema, e de ter finalmente acesso às entranhas do PC, removi o disco e pedi para voltar à suprefície com o mesmo. Utilizando uma série de ferramentas, incluíndo o Norton Ghost e outras que não me recordo agora, consegui replicar os conteúdos do disco para o novo que tinha conseguido obter à última da hora no dia anterior. Voltámos às profundezas, instalei o disco, o PC arrancou e passados poucos minutos a TBM estava de novo a avançar Lisboa a dentro a caminho de São Sebastião. O resto é história. linhavermelha E tu? Qual foi a coisa mais estranha que tiveste de fazer na tua profissão? Relata-a nos comentários.

Junte-se à conversa

1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Please copy the string PvCG4l to the field below: